História

Fundação

Primeiro emblema (1919)
A iniciativa de se fundar, em Lisboa, um novo clube partiu de João de Matos Corte-Real da Câmara Mouat e de José dos Santos Cadeiras. Para esse tema realizou-se a 4 de Novembro de 1918 uma reunião no Caminho do Forno Tijolo, nº 80, r/c, residência de Alberto Júlio Mouat. Estiveram presentes, sendo, portanto, os fundadores: Agripino Teixeira, Alberto Júlio Mouat, Artur Ribeiro, Carlos José dos Santos, Carlos Martins, Francisco Gonçalves Arroja, João de Matos Corte-Real da Câmara Mouat, Joaquim Carlos de Almeida, José Lima, José dos Santos Cadeiras, Manoel Valente, Manuel Vassalo de Araújo, Oscar de Carvalho, Raúl de Brito, Raúl Correia de Araújo e Soeiro Piedade.  A designação de Lisboa Gymnasio Club foi proposta por Manuel Vassalo de Araújo. Os presentes deliberaram que a data da reunião seira considerada para todos os efeitos, a da fundação do Clube. A Comissão Instaladora e Administrativa incumbida de dar corpo à resolução tomada foi constituída por: Alberto Júlio Mouat - Presidente; Raúl Correia de Araújo - Tesoureiro; José dos Santos Cadeiras - Secretário. Na Europa, o grande pesadelo aproximava-se do fim. Uma semana depois, os clarins anunciavam o armistício. Num modesto bairro de Lisboa nascer uma colectividade que apesar das dificuldades encontradas ainda hoje, volvidos que são 94 anos, mantém íntegro o ideal dos seus fundadores.

Estatutos

Sarau no Coliseu dos Recreios (1952)
Os primeiros Estatutos do Clube, aprovados em Assembleia Geral de 19 de Janeiro de 1919, compunham-se de 13 capítulos, 65 artigos, e 152 parágrafos. Transcrevem-se os Artigos 1º e 2º do Capítulo I observando-se, rigorosamente, a ortografia constante do manuscrito original. "Artº 1º É criada em Lisboa uma associação de recreia, de educação phisica e artística denominada 'Lisboa Gymnasio Club', composta de indivíduos de ambos os sexos e de qualquer nacionalidade, todos de boa educação e bons costumes. Artº 2º São fins d'esta associação: 1º Promover a educação literária dos seus associados, irmãos, filhos ou tutelados d'estes, pela pratica de exercícios gymnasticos, jogos d'armas, natação, remo, equitação, musica, etc. 2º Promover conferências só para sócios e suas famílias sobre assumptos de reconhecida vantagem para o desenvolvimento intelectual d'elles e fácil metódica apreensão de conhecimentos úteis a vida prática. 4º Promover festejos de qualquer natureza na sede ou fóra d'ellam grátis ou pagos. Neste último caso da receita liquida reverterá a favor dos pobres da freguesia a que a associação pertencer, um importância que poderá ir ate 10% d'ella, sendo a sua distribuição feita pela Direcção." Ao ponderar i articulado dos primeiros Estatutos sente-se que avulta na lei a generosidade de uma geração no sentido de providenciar às pessoas a preparação física e moral que faças delas o elemento base, pela saúde e pela cultura, da era que então se iniciava. Esta não será, certamente, o menor dos ensinamentos que nos foram legados. Igualmente se nota ter havido a vontade de que o Clube fosse, pelas disciplinas mencionadas, diversificado nas suas actividades. Com o decorrer do tempo os Estatutos do Clube têm sido alterados adaptando-se às exigências de cada época e ao seu crescimento sem, no entanto, se desvirtuar o fundamental inserido nos primeiros. A herança estatutária nunca deixou de ser cumprida na parte associativa e no acolhimento dado às actividades gímnicas, desportivas, culturais e recreativas. Tem sido no respeito pela vontade dos Fundadores que se encontra a razão do progressivo engrandecimento do Lisboa Ginásio Clube e da sua inegável importância no meio gimnodesportivo.

Sedes

Rua dos Anjos (1939)
A primeira sede instalou-se na Rua Maria nº 61, cave, num imóvel de propriedade de Maria da Conceição Rodrigues. O contrato de arrendamento entrou em vigor a 1 de Dezembro de 1918, com uma renda mensal de 30$ (escudos). A primeira parte das obras de adaptação da sede foi realizada com a verba obtida através de uma emissão de obrigações a adquirir pelos sócios. Foi entusiástica a adesão, tendo-se verificado, posteriormente, que a quase totalidade dos associados detentores de obrigações fizeram oferta das mesmas ao Clube. A continuação das obras foi possível em virtude da receita conseguida com a realização de um Sarau no Coliseu dos Recreios. A inauguração da primeira sede efectuou-se a 27 de Setembro de 1919 com uma Sessão Solene seguida de baile. Volvido pouco mais de uma no as instalações eram consideradas insuficientes, dado que na reunião de Direcção de 10 de Fevereiro de 1921 se debateu o assunto e da respectiva Acta consta "Resolvido procurar uma nova sede para o Clube, visto que a actual já não chega para o desenvolvimento por ele tomado." Por razões que não se encontram explicitadas nos documentos encontrados é, somente, a 6 de março de 1923 que o Vice-Presidente da Direcção, Manuel Florido Pereira, se refere ao assunto, apresentando em reunião uma proposta no sentido de se procurar obter uma nova sede, a qual, porém, devia ficar situada naquela zona da cidade (Anjos). Nomeada uma Comissão para o efeito vem a mesma a propor, em 28 daquele mês, a aquisição do imóvel sito na Travessa do Borralho (hoje RUa Francisco Lázaro), nº 4, e no qual tinha funcionado o Teatro Salão dos Anjos, vulgo Teatro do Borralho. O custo do imóvel e do seu recheio, condição exigida para a venda, montava a 130.000$ (escudos). Aprovada a operação de compra e face às compreensíveis dificuldades financeiras do Clube, foi contraído um empréstimo junto do Banco Português e Brasileiro no qual deu o seu aval Teófilo de Magalhães, à data Presidente da Assembleia Geral do Lisboa Ginásio Clube. A inauguração oficial da segunda sede teve lugar a 1 de Dezembro de 1923 com a presença do Sr. Presidente da República, Dr. Manuel Teixeira Gomes, sendo Presidente da Direcção Júlio Augusto da Rocha Vieira. Completavam-se exactamente, nesse dia cinco anos sobre a entrada em vigor do contrato de arrendamento da primeira sede. O Lisboa Ginásio Clube mudou a sua sede, mas, localizando-a na zona que o viu nascer, criou uma tradição perpetuada até aos nossos dias.